Pode o investimento de impacto mudar o mundo?

Pode o investimento de impacto mudar o mundo?

E se pudesse aplicar as suas poupanças em investimentos que contribuíssem para despoluir o planeta, aceder a água potável, mitigar a pobreza ou financiar as artes e ainda obter retornos positivos? Bem-vindo ao mundo do investimento de impacto. 

Ver no dinheiro um meio e não um fim e investir com um propósito é a essência do investimento de impacto. A Global Impact Investing Network (GIIN) define-o como “investimentos feitos em empresas, organizações e fundos com a intenção de gerar impacto social e ambiental mensurável juntamente com retorno financeiro”, permitindo-lhe coadunar os seus valores com as suas opções de investimento e assumir um papel ativo na resolução dos problemas sociais.

O conceito não é novo, mas tem-se afirmado e conquistado adeptos enquanto princípio-chave orientador do investimento. A prová-lo está o facto de, nos últimos 10 anos, conceituadas instituições financeiras como Bain Capital, BlackRock, Credit Suisse, Goldman Sachs e JP Morgan Chase deterem já mais de 77 mil milhões de dólares em ativos sob gestão em investimento de impacto.  

Em 2017, segundo a estimativa da GIIN, 228 mil milhões de dólares terão sido canalizados para investimentos de impacto, o que representa o dobro do valor alcançado no ano anterior. Não obstante os números apresentados, ainda há muito para conhecer sobre o investimento de impacto.

 

O que é o investimento de impacto?

Além de gerar retorno financeiro, o investimento de impacto tem como objetivo alcançar objetivos sociais e/ou ambientais específicos. Insere-se dentro das estratégias de investimento socialmente responsável (SRI – socially responsible investment) que se pautam por incluir critérios de investimento ambientais, sociais e de governance, além da dimensão económico-financeira. Mas vai mais longe.

Enquanto o SRI visa prevenir e mitigar danos, o investimento de impacto procura ativamente causar um impacto positivo com o investimento. O SRI baseia-se em referenciais de sustentabilidade e de divulgação do desempenho nas dimensões ESG, conferindo maior transparência e segurança nos investimentos, e busca investir em empresas que não agridem a sociedade ou o meio ambiente mas que não geram necessariamente um impacto social positivo, o que representa uma abordagem passiva para a criação de impactos, uma vez que gerar impacto positivo não é o objetivo principal.

De acordo com a GIIN, o investimento de impacto, mantendo a visão de longo alcance do SRI, apresenta três características distintivas:  

1. Intenção

Gerar um impacto positivo mensurável ambiental e/ou social.

2. Adição de benefícios

Uma vez que almeja gerar impacto além do simples investimento financeiro.

3. Mensurabilidade

Uma vez que é capaz de contabilizar de uma forma transparente o desempenho financeiro, social e ambiental dos investimentos. 

 

Enquadramento e evolução

Foi em 2007 que o termo impact investing surgiu pela primeira vez. A fundação Rockefeller reuniu um grupo restrito de investidores para discutir soluções para maximizar o desempenho financeiro e social da indústria financeira, o que veio a ser o embrião da GIIN. O objetivo era manter em contacto os investidores que partilhavam esse objetivo e desenvolver métricas para medir os impactos sociais e ambientais, com foco em algumas áreas como a agricultura sustentável.

O investimento de impacto pode hoje ser materializado de diferentes formas que expressam a sua versatilidade e amplitude temática, geográfica e instrumental. Desde os conceitos de negócio social e microcrédito (que consistem em conceder empréstimos em pequenos montantes para que as pessoas de determinada comunidade possam ter o seu negócio e o excedente financeiro gerado seja reinvestido na comunidade) propostos por Muhamed Yunnus nos anos 70 até à participação num fundo de investimento que investe em startups que produzem tecnologias não poluentes.

Não deixa de ser curioso que o florescimento do investimento de impacto tenha ocorrido em plena crise financeira e em contraciclo com os investimentos tradicionais. Os seus critérios de prestação de contas não só na dimensão financeira conferem-lhes a credibilidade e segurança que os investidores procuravam. Presentemente este tipo de investimento também é visto como forma de alcançar os objetivos em matéria de combate às alterações climáticas, conforme ficou definido na Conferência do Clima de Paris (COP21), sendo capaz de prevenir outros riscos e sendo apoiado e incentivado pelos decisores políticos.

Existe uma tentativa de alinhar o impacto e daquele contribuir para alcançar os ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) definidos pela ONU em 2015. Tudo indica que o investimento de impacto veio para ficar.

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