Para onde caminha a indústria dos videojogos?

Para onde caminha a indústria dos videojogos?

Sabia que a indústria dos videojogos – ou, de forma ainda mais ampla, do gaming – é atualmente a maior e mais popular indústria do mundo do entretenimento? Mais ainda do que as da música ou do cinema, por exemplo.

O seu claro crescimento, sobretudo no segmento dos videojogos para smartphones, resulta de uma combinação de sucesso: utilização massificada deste tipo de equipamentos, conectividade veloz e quase ilimitada à Internet e novas capacidades no que diz respeito a jogar em streaming.

Por todas estas razões, o acesso aos videojogos é cada vez mais fácil e acessível, abrangendo um público transversal e de diferentes faixas etárias. 

Repare-se no enorme sucesso de Fortnite, série de videojogos online desenvolvida pela Epic Games, com rendimentos mensais de centenas de milhões de dólares. A ascensão foi de tal ordem que a Epic Games não hesitou em levantar uma ação contra as gigantes Apple e Google quando estas baniram o jogo das respetivas lojas móveis após a introdução de um sistema alternativo de pagamentos internos.

No entanto, também o segmento “clássico” deste mercado demonstra vigor. A comprová-lo estão, por exemplo, as novas PlayStation 5 e Xbox Series X, prestes a chegar ao mercado.

O gaming é hoje muito mais do que uma simples moda ou um passatempo de adolescentes. É uma indústria gigantesca, que se reinventa de forma contínua e até conta com jogadores profissionais e competições desportivas de alto nível.

 

Uma indústria pujante liderada pelo mobile gaming

Numa caminhada ascendente, espera-se que o mercado dos videojogos supere 159 mil milhões de dólares em 2020, o que representa um crescimento de 9,3% relativamente ao ano transato. Prevê-se ainda que ultrapasse a fasquia dos 200 mil milhões de dólares em 2023, de acordo com as estimativas da consultora Newzoo.

Nos três segmentos da indústria (mobile, consolas e PC), verifica-se um claro destaque para o mobile, que pesa 48% no valor global deste mercado. É também este o segmento que apresenta as melhores perspetivas de crescimento, prevendo-se receitas de mais de 77 mil milhões de dólares este ano.

Fundamentalmente, são apontadas três razões que explicam o crescimento deste segmento:

  1. Dois quintos da população têm um smartphone e muitos dos jogos para telemóvel são gratuitos;
  2. O desenvolvimento de jogos para este segmento é tipicamente menos complexo;
  3. Devido aos efeitos da pandemia, é um formato mais recomendável do que a utilização de outros equipamentos partilhados.

 

Cloud: uma vantagem (muito) competitiva

A possibilidade de jogar a partir da cloud, como se de uma “Netflix dos videojogos” se tratasse, aparenta ser um driver de mudança no consumo de videojogos e um importante motor de crescimento desta indústria.

Aceder aos videojogos a partir de um servidor remoto, mediante o pagamento de uma mensalidade, significa que deixa de ser necessário comprar os jogos para se poder desfrutá-los. Em simultâneo, os utilizadores passam a ter à sua disposição um amplo leque de opções.

Esta realidade tem gerado novas oportunidades de negócio e já começaram a surgir plataformas de streaming gaming, entre as quais se destacam:

  • Google Stadia;
  • Nvidia GeForce Now;
  • Sony PlayStation Now;
  • Microsoft xCloud.


A cloud tem assumido, igualmente, uma relevância acrescida no segmento mobile, sendo já um argumento importante na venda de smartphones e tablets. Vejam-se os casos do Samsung Galaxy Note 20, que suporta videojogos da Xbox, ou a gama de smartphones Pixel, da Google, que durante muito tempo foi a única compatível com a Google Stadia.

 

Novos players

A dimensão do mercado dos videojogos impressiona: 2,3 mil milhões de pessoas, ou seja, aproximadamente 30% da população mundial, são jogadores ativos. Compreende-se, por isso, que a indústria esteja a atrair cada vez mais empresas de setores distintos, além dos players tradicionais no desenvolvimento de consolas e videojogos (como Sony, Nintendo, Asus, HP ou Electronic Arts.

A Apple parece ser um desses casos, tirando partido da sua App Store para exercer influência na indústria do gaming. E até já lançou o seu próprio serviço de assinatura de videojogos, o Apple Arcade, que possibilita jogar em todos os dispositivos da empresa.

Também a Amazon está prestes a entrar neste mercado, tirando partido do seu serviço de cloud Amazon Web Services, num movimento que o analista Michael Pachter previu ser “o derradeiro ciclo das consolas”.

Devemos igualmente ter em conta o impacto do gaming no segmento dos processadores. Se a Intel é há vários anos a indiscutível líder do mercado, a verdade é que a AMD lhe começa a ganhar cada vez mais terreno. Aliás, enquanto nos últimos cinco anos as ações da Intel registaram um aumento de valor na casa dos 86%, as da AMD aumentaram cerca de 2000%. E uma das principais razões apontadas para isso é o facto de alegadamente a AMD desenvolver melhores unidades de processamento gráfico (GPU), o que resulta em experiências superiores de gaming relativamente ao concorrente.

 

Do entretenimento à profissionalização

Nem só de nuvens, consolas e processadores se faz o mercado do gaming. A indústria profissionalizou-se e deu origem a um robusto mercado de desporto eletrónico (eSports) que atualmente gera cerca de mil milhões de dólares por ano entre publicidade, patrocínios, direitos de transmissão, merchandising e bilheteira.

A evolução promete continuar, com alguns analistas a preverem que, até 2027, o mercado global de eSports chegará aos 6,82 mil milhões de dólares. Existem equipas organizadas e a competição é a sério e com prémios de milhões. Clubes desportivos como o Manchester City ou o Paris Saint-Germain já integraram a modalidade nas suas estruturas. E a Activision Blizzard, a Electronic Arts e a Huya são cada vez mais consideradas empresas a investir.

Fala-se inclusive na possibilidade de esta nova modalidade desportiva vir a ser integrada nos Jogos Olímpicos já a partir de 2024, o que pode representar um salto considerável na perceção pública e um passo importante para uma indústria que promete continuar a crescer e a superar expectativas.

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