Para onde caminha a indústria dos plásticos?

Para onde caminha a indústria dos plásticos?

A escassez da matéria-prima, a procura crescente e a necessidade de ser ambientalmente sustentável têm imposto novos desafios à indústria de plásticos. Por isso, esta é uma indústria em transição e que caminha no sentido da reinvenção, sempre à procura dos materiais mais sustentáveis.

 

A importância da indústria de plásticos

Em 2020, a indústria global de plásticos valia 580 mil milhões de dólares e pode crescer a um ritmo de 3,4% ao ano até 2028. O que não é um dado surpreendente, dada a importância destes produtos em diferentes setores das economias modernas, como o setor automóvel, a indústria da embalagem e embalamento, construção civil, eletrónica e, até mesmo o setor agrícola.

Mas não só. Por se tratar de um material versátil, flexível, leve, duradouro e de baixo custo, é difícil encontrar um objeto de uso quotidiano que não contenha plástico em algum momento do seu ciclo de produção e distribuição.

Existem atualmente diferentes tipos de plástico e cada um deles com características distintas – sobretudo no que se refere à resistência térmica e densidade. Os termoplásticos, por exemplo, que podem ser moldados e deformados repetidamente quando aquecidos. Pelo contrário, os plásticos termofixos só podem ser moldados uma vez.

Os plásticos podem ainda ser de origem fóssil (derivados do petróleo) ou biológica (derivados de matérias-primas agrícolas, como milho e cana do açúcar) e podem ser ou não biodegradáveis e compostáveis.

 

Quem são os principais players da indústria de plásticos?


Entre os principais players da indústria de plásticos estão algumas das maiores empresas mundiais ligadas à indústria química, algumas com dezenas de anos de atividade. É o caso da alemã BASF, a saudita SABIC, as norte-americanas Dow Chemical, Exxonmobil, Trinseo, Amcor e Berry Global, e a japonesa Mitsui & Co, entre muitas outras.

Mas a indústria de plásticos requer constante desenvolvimento, inovação e tecnologia, pelo que têm surgido novos players no setor, como a belga Materialise NV, que merece especial destaque na impressão 3D de plásticos.

Já a australiana Replas e a norte-americana Terra Cycle atuam no segmento da reciclagem de plásticos, cada vez mais ativo por força do aumento da consciência sobre a economia circular. Este mercado representa uma oportunidade de negócio que se estima que cresça 6,6% ao ano até 2027.

No sentido de pôr fim ao lixo do plástico e das embalagens, há novas empresas a nascer. É o caso da ePac, que apresenta uma plataforma de impressão digital para criar embalagens flexíveis e customizadas, e da RePurpose Technologies, que dá um novo uso aos resíduos de plásticos.

 

Os desafios da indústria de plásticos

A indústria de plásticos atravessa um período de transição. Da escassez da matéria-prima aos dilemas ambientais, alguns aspetos têm vindo a forçar uma mudança nesta indústria.


Dependência dos combustíveis fósseis

O petróleo é a matéria-prima por excelência desta indústria. No entanto, a finitude deste recurso e o facto de não ser ecologicamente sustentável obrigam a que a indústria procure novos materiais.

Crescimento constante da utilização de plástico

O crescimento da indústria foi impulsionado pela expansão do uso de plástico em indústrias de alto crescimento, a partir dos anos 50. 

Atualmente, o desafio está em satisfazer toda essa procura com o menor impacto ambiental possível, o que a obriga a uma inovação tecnológica constante e ao investimento em tecnologia de ponta com inteligência artificial, impressão 3D e robótica para aumentar a produtividade.   

 

A necessidade de evolução da indústria de plásticos


A maioria do plástico produzido é de utilização única e só uma ínfima parcela é reciclada. Assim, a maior parte do plástico transforma-se em resíduos que vão parar a aterros e aos oceanos, trazendo consequências nefastas para a biodiversidade e para a saúde humana.

Estes motivos obrigam a indústria a descobrir novos usos para o plástico existente ou produzir plásticos com novas propriedades físicas que os tornem mais adequados às necessidades e exigências atuais.

Atualmente, o plástico também pode ser produzido a partir da cana do açúcar, batata, mandioca ou beterraba. É o chamado plástico verde e já é utilizado pela Lego e pela NASA para confecionar brinquedos e ferramentas para astronautas, respetivamente. A brasileira CBPak, por exemplo, dedica-se à produção de embalagens a partir de biomassa de mandioca.

Mas nesta “nova” indústria do plástico participam também players de outros setores. Um bom exemplo é a Adidas, que, em parceria com a Parley, está a criar roupa desportiva e calçado a partir de plástico recolhido dos oceanos (plástico marinho). Já a Swaggr produz meias a partir de fibras sintéticas tecidas de fios provenientes de garrafas de plástico (PET).


O futuro da indústria de plásticos caminha a passos largos para uma incorporação cada vez maior de material recuperado/reciclado e para o constante reaproveitamento do plástico usado para criar novos objetos, despertando assim a consciência de diversos setores para a sua utilização como matéria-prima. Mas passa também pela procura incessante de materiais para o fabrico de plásticos que possam ser 100% recicláveis um maior número de vezes.

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