Outlook BiG: perspetivas para o quarto trimestre de 2020

Outlook BiG: perspetivas para o quarto trimestre de 2020

O último trimestre deste ano continuará a pautar-se pela incerteza quanto à recuperação da atividade económica, que parece depender substancialmente da descoberta de uma vacina e de tratamentos complementares.

 

COVID-19

Tratamentos e testes rápidos podem complementar vacinas?

Prosseguem os testes clínicos com o objetivo de colocar (rapidamente) no mercado vacinas capazes de conter o novo coronavírus. Em paralelo, encontram-se também em ensaios clínicos testes rápidos e tratamentos que ajudem a diminuir significativamente a taxa de mortalidade ou o tempo de internamento hospitalar, evitando a sobrecarga dos serviços de saúde. Estes testes e tratamentos podem, inclusive, chegar mais cedo ao mercado do que as próprias vacinas.

  • Impacto
    A introdução de novos testes e tratamentos pode revelar-se fulcral para aumentar a segurança e acelerar a recuperação económica, antes sequer de as vacinas estarem disponíveis ou conseguirem abranger um número substancial de pessoas.

 

Estados Unidos

Poder de compra em queda e eleições presidenciais

Nos Estados Unidos, contrariamente ao que se vinha a verificar até aqui, tem-se assistido a uma retração do poder de compra. Um dos fatores decisivos para esta inversão de tendência terá sido a eliminação do subsídio que o governo americano começou a atribuir em março, com o objetivo de manter o poder de compra da população desempregada.

Naturalmente, as eleições presidenciais de 4 de novembro serão determinantes para perceber como evoluirá a economia deste país.

  • Impacto
    A redução no poder de compra dos americanos poderá levar a uma recuperação económica ainda mais lenta do que o esperado e cujo rumo será fortemente influenciado pelas medidas do próximo presidente. Donald Trump pretende prosseguir a sua política de redução significativa de impostos e incentivo ao investimento. Joe Biden, por sua vez, pretende focar-se em medidas proativas de controlo da pandemia, na extensão de benefícios sociais e na aplicação de uma política efetiva de transição energética e combate às alterações climáticas.

 

Europa

O plano de recuperação mais financeiramente ambicioso, digital e green de sempre

O último trimestre de 2020 será marcado pela operacionalização do plano de recuperação mais ambicioso de sempre, que perfaz a módica quantia de 1824,3 mil milhões de euros para o período entre 2021 e 2027.

Deste valor, 30% destina-se ao cumprimento de objetivos relacionados com alterações climáticas, 672,5 mil milhões estão reservados para os estados-membros sob a forma de empréstimos e subvenções, e 77,5 mil milhões serão utilizados para financiar diretamente projetos de empresas, em complemento aos apoios que os governos deram até agora para preservar os postos de trabalho.

Refira-se, contudo, que os desafios europeus também passam pela divisão de posições geopolíticas em conflitos de regiões vizinhas, como são os casos do Mediterrâneo, da Líbia ou da Bielorrússia.

  • Impacto
    O plano de recuperação económica deverá reforçar o estímulo ao investimento verde e digital, suportado por um mecanismo de recuperação e resiliência que incentive a implementação de investimentos e reformas de larga escala.

 

Empresas

Adiamento de falências e provável onda de despedimentos

Nos últimos meses, assistiu-se à injeção massiva de liquidez por parte dos bancos centrais, bem como apoios fiscais e flexibilização legislativa, medidas que evitaram a proliferação de falências face à paralisação da economia.

Não obstante, é possível que não sejam suficientes para evitar os despedimentos em setores que tenham elevados custos fixos e estejam a sofrer uma significativa compressão das margens (exs.: setor automóvel e setor industrial), bem como no turismo e ainda no retalho com fraca exposição ao comércio eletrónico.

  • Impacto
    Os apoios e estímulos financeiros têm um forte peso nos orçamentos dos governos, pelo que mantê-los por muito mais tempo poderá não ser viável. Desta forma, países com menor capacidade de apoio às empresas poderão verificar um aumento no número de insolvências. Pode ser este o caso de Portugal e Espanha.

 

Ações

Setor da aviação muito pressionado enquanto empresas tecnológicas e serviços essenciais brilham

O ainda muito significativo risco de contágio, associado às restrições à circulação aérea, fragilizam ainda mais o setor da aviação. A prová-lo estão anúncios recentes que apontam para uma redução da capacidade das companhias aéreas, bem como para a revisão em baixa das previsões para o resto do ano.

Em contraste, as empresas do setor tecnológico e de bens e serviços essenciais como saúde, telecomunicações e utilities têm demonstrado uma resiliência assinalável. 

  • Impacto
    Espera-se uma recuperação mais lenta do que seria desejável por parte do turismo e do setor da aviação. Esta pode ser ainda mais afetada, em especial nos Estados Unidos, se não for renovado o pacote de apoios que termina a 1 de outubro e que pode colocar em risco mais de 30 mil postos de trabalho.

 

China

Maior influência e possibilidade de atingir a neutralidade carbónica

A China tem procurado intensificar esforços para controlar áreas próximas – Índia, mar do sul da China e até mesmo Taiwan – ao desencadear exercícios militares nas proximidades destas regiões. Além do empenho no aumento da sua influência no sudeste asiático, tem igualmente encetado esforços para fazer a transição para energias limpas.

Neste campo, é possível que, em 2060, venha a atingir a neutralidade carbónica. Um feito bastante significativo se considerarmos que a China representa 28% das emissões globais de CO2.

  • Impacto
    Tendo em conta a política de domínio e conflitos armados encetados pelo governo chinês, pode esperar-se uma escalada de tensões nesta região. Já em relação à transição energética, embora tenha acelerado o investimento em energias renováveis, não é expectável que a China faça uma transição direta para estas energias, estimando-se por enquanto o aumento da utilização do carvão.

 

Petróleo

Orientação estratégica para fontes de energias renováveis

As petrolíferas estão a voltar-se cada vez mais para as energias renováveis. Entre as principais razões contam-se: as pressões regulatórias e sociais para que estas empresas reformulem o seu negócio; a probabilidade significativa de manutenção e redução dos níveis de procura por petróleo; e a consequente queda do seu preço, associada ao cumprimento dos objetivos de redução de emissões.

  • Impacto
    Nos próximos 20 anos o petróleo continuará a ser uma fonte de energia fundamental, no entanto será necessário encontrar formas de travar o seu efeito poluente, caso contrário esta indústria poderá perder investidores.

 

Investimento sustentável

Crescimento da adoção de critérios ESG nas decisões sobre investimentos

A sigla ESG resume três dimensões não financeiras de sustentabilidade – ambiental, social e governamental – que complementam os critérios financeiros na análise de viabilidade e risco de um determinado investimento, permitindo uma análise mais abrangente e completa. Com questões como alterações climáticas, desigualdades sociais e igualdade de géneros na ordem do dia, há cada vez mais investidores a levarem estes critérios em conta ao tomarem as suas decisões.

  • Impacto
    Prevê-se que a adoção crescente destes critérios permita uma maior transparência e uma perceção mais alargada dos riscos dos investimentos. Será necessária, porém, uma harmonização legislativa de modo a assegurar um grau equivalente de divulgação de informação ESG por parte das empresas, bem como concertar regras metodológicas para a construção dos ratings ESG.

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