Outlook 2020: o que esperar no próximo ano?

Outlook 2020: o que esperar no próximo ano?

Como se perspetiva 2020? Conheça a evolução das principais economias e setores e as perspetivas para o próximo ano, para tomar as melhores decisões de investimento.

 

ESTADOS UNIDOS

Crescimento sustentado pelo consumo interno

A economia americana está bastante dependente do consumo interno, que continua dinâmico graças ao aumento do rendimento das famílias. No entanto, a produção industrial tem perdido fôlego devido às tensões comerciais com a China e às políticas protecionistas. Um contexto de estagnação da indústria poderá desencadear desemprego e um consumo interno reduzido, o que revela as vulnerabilidades do crescimento desta economia.

A intenção de manter as taxas de juro por parte da Reserva Federal Americana (The Fed) pode, contudo, sugerir alguma robustez económica por conta do setor dos serviços.

 

EUROPA

Limitação da capacidade dos estímulos monetários para impulsionar o crescimento económico

O Banco Central Europeu tem em marcha um novo programa de recompra de dívida. Este apresenta, contudo, limitações à quantidade de dívida que pode adquirir. Estes estímulos podem, por isso, não ser suficientes para estancar o setor industrial, forte motor do crescimento económico europeu, e evitar recessões.

 

Desaceleração generalizada do segmento industrial e potenciais recessões na Alemanha e Itália
Alemanha

A indústria apresenta um contributo significativo para o PIB alemão, em especial a indústria automóvel, cujo crescimento tem vindo a diminuir. Esta realidade, a par da incerteza económica global, tem consequências no desemprego e no consumo interno, podendo desencadear uma recessão. 

Itália

Tal como a Alemanha, a Itália tem uma parte significativa do seu crescimento ligada ao setor industrial, sendo, por isso, igualmente afetada pela desaceleração da produção industrial na Europa. Tem, no entanto, uma limitada margem para estímulos fiscais, pelo que se antecipa uma recessão prolongada em Itália.

França

A economia francesa está fortemente dependente do setor dos serviços, por isso é de esperar que a economia se mantenha resiliente desde que a queda da manufatura não contagie a procura interna e externa pelos serviços em França.

Espanha

Os serviços também têm sido o motor de crescimento espanhol. No entanto, a instabilidade política que o país atravessa pode prejudicar a confiança do consumidor e das empresas.

 

PORTUGAL

Incerteza quanto à evolução da dívida e forte dependência do turismo

A maior incerteza para o próximo ano é a evolução da dívida pública, que tem vindo a aumentar em termos absolutos. Uma situação de abrandamento económico global poderá gerar maior défice e colocar em causa o cumprimento do pacto de estabilidade e crescimento. Além disso, a economia portuguesa está bastante dependente do turismo, pelo que qualquer choque exógeno que reduza o número de turistas pode comprometer o seu crescimento.

 

REINO UNIDO

Crescimento económico limitado pela quebra de confiança devido ao impasse do Brexit, mas com boas perspetivas de recuperação

A construção e a produção industrial estão a recuar, bem como a confiança de empresas e consumidores (que se encontram em mínimos), devido às incertezas em torno do Brexit e das eleições para o novo governo. Pela positiva destaca-se o crescimento das vendas a retalho, favorecido pelo baixo nível de desemprego e crescimento dos salários.

Com o desfecho do Brexit é expectável uma forte recuperação da confiança do consumidor, que impulsionará as vendas a retalho. Consequentemente, o crescimento dos serviços irá aumentar, influenciando positivamente o PIB do país.

 

MERCADO DE DÍVIDA

Ainda com algumas oportunidades

Na Europa é esperada a continuação da política monetária expansionista do Banco Central Europeu. A dívida italiana a dez anos poderá ser atrativa e uma opção face à falta de alternativas de investimento, embora existam riscos.

Nos Estados Unidos, a dívida soberana de curto prazo poderá ser uma boa aposta, já que não há intenção de subir as taxas de juro no curto prazo. No entanto, se o dólar desvalorizar, poderá não interessar tanto a um investidor europeu.

 

MERCADO ACIONISTA

Visão para as ações europeias

Os setores dos bens domésticos, tecnologias, health care e imobiliário são os que apresentam melhores perspetivas de rendibilidade. Os setores das telecomunicações, seguros, oil & gas e food & beverage também mostram uma evolução favorável. Em contraste, o retalho, a banca e os setores industrial e automóvel serão os mais penalizados.

 

MATÉRIAS-PRIMAS 

Preço do petróleo em queda

Espera-se uma desaceleração na procura por crude e seus derivados em consequência da redução da atividade industrial internacional. Embora se tenha verificado um aumento ligeiro da procura no terceiro trimestre, não é suficiente para sustentar o crescimento dos preços sem um decréscimo na oferta, que não é expectável que se verifique no longo prazo.

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