«O investimento financeiro não é para mim?»

«O investimento financeiro não é para mim?»

Assumir-se que o mundo dos investimentos financeiros pertence ao género masculino pode ser verdade, mas apenas numa perspetiva: estatística.

Parece correta a assunção de que existem menos mulheres a investir do que homens. Isto não significa, porém, que a qualidade dos investimentos difira de forma significativa entre géneros – como, de resto, o comprovam nomes como Geraldine Weiss, Abigail Johnson ou Linda Bradford Raschke, entre muitas outras investidoras de sucesso. Se é claro que os investidores de hoje são homens e mulheres, das mais variadas idades e contextos, porque continua este tema em cima da mesa e a ser tão debatido nos dias que correm?

 

Uma questão de confiança

De acordo com um estudo divulgado pela Forbes, apenas 52% das mulheres referem sentir a confiança necessária para investir – nos homens este número sobe para 68%. Esta discrepância na confiança para o investimento é difícil de compreender, nomeadamente se tivermos como referência três estudos internacionais que concluíram que, nos últimos anos, em termos médios, as mulheres investidoras conseguiram alcançar resultados superiores em determinados investimentos.

Eis as justificações que parecem afastar as mulheres do investimento financeiro:

  • “Não tenho tempo para investir”
  • “Tenho quem faça por mim”
  • “Tenho dificuldade em confiar o meu dinheiro a outras pessoas”
  • “Não compreendo as vantagens”
  • “Não gosto de especulação ou risco”
  • “Conheço pessoas que tiveram experiências negativas”
  • “Não entendo a linguagem técnica associada ao investimento”

 

São justificações válidas, é claro, mas que devem ser vistas em perspetiva e questionadas, principalmente quando noutras situações – de dia a dia ou de investimento – onde certamente não se domina a linguagem e que até implicam riscos ou mesmo especulação, as mulheres estão lá a tomar decisões (exs.: na compra de imóveis, nos negócios próprios, etc.).

Então, por que razão, em relação ao investimento financeiro as mesmas razões funcionam como fator de impedimento?

 

Fazer as perguntas certas

Suponha que quer comprar um carro. Provavelmente fará a sua escolha de acordo com algumas características que considera essenciais – mas será que domina todas as especificações? Sabe, por exemplo, o que é uma berlina? E qual a diferença entre a potência e o binário? Ou se o seu carro deve ter ESP, chassis desportivo, detalhe da consola em preto ou jantes de liga leve?

O mesmo acontece se adquirir uma casa: talvez não saiba o que significa um T2+1 virado a sul, com chão radiante e box. O mais provável é que não domine 100% da terminologia. Isso não a impede, contudo, de tomar uma decisão importante para a sua vida. O importante é que saiba fazer as perguntas certas – que são as mesmas tanto em “decisões do dia a dia” como nos investimentos financeiros:

  • Quanto quero investir?
  • Qual é o retorno esperado do investimento?
  • Em quanto tempo quero pagar/recuperar o investimento?
  • Quais são os riscos?
    • Da contraparte;
    • De mercado (variação do preço);
    • Do valor da zona geográfica onde estou a decidir fazer o investimento
    • De liquidez – tenho facilidade em “transformar em dinheiro” ativo o que estou a comprar e descapitalizar-me (investir o meu dinheiro) ou recorrer a crédito (alavancagem)?

 

O que a impede então?

A resposta é simples: as crenças enraizadas nos comportamentos de cada um de nós enquanto indivíduos. E, como consequência, as associações cognitivas distintas que fazemos sobre decisões que culturalmente “colocamos” dentro ou fora da nossa zona de conforto.

Se, por um lado, quanto sentimos que estamos na zona de conforto (casa, carro, negócio próprio), encaramos as expressões Risco, Mercados, Investir e Dividendos como fatores positivos e associados a “ganho”, por outro, quando nos sentimos fora da zona de conforto (investimentos financeiros), já associamos às mesmas expressões um significado negativo e relacionado com “perda”.

 

 

 

 É possível converter o pensamento negativo em positivo?

A boa notícia é que a resposta é sim. É possível contrariar esta questão. Mas precisa reunir dois pressupostos:

  1. Encarar o investimento como uma alternativa válida para obter rendimentos extra, como um complemento à reforma ou como diversificação de fontes de rendimento.
  2. Escolher um interlocutor (financeiro) com foco em si e não no “produto do mês”.

 

Quando estabelecemos uma relação de empatia com o especialista financeiro, isto é, quando sente que o foco está em si, que lhe são feitas as perguntas certas (as que identificámos acima) e o consultor de investimento realiza um diagnóstico à sua medida, então a barreira da (falta de) confiança está transposta e tem a certeza de que aquela é a solução para si.

Investir não é uma questão de género, mas de atitude e de confiança. E por essa razão, sim, o investimento financeiro também pode ser para si.

Sugestões

Receba a nossa newsletter

Fique a par das últimas novidades do BiG e receba periodicamente os nossos conteúdos.