O impacto da psicologia nas suas decisões financeiras

O impacto da psicologia nas suas decisões financeiras

Um dos pilares dos modelos tradicionais que explicam a tomada de decisões nos investimentos é sustentada pela parte racional dos investidores. No entanto, existem dinâmicas nos mercados financeiros que contrariam essas teorias. As finanças comportamentais procuram explicá-las de uma forma alternativa. Poderá a psicologia ter uma palavra a dizer no mundo financeiro?

 

A teoria da perspetiva e o papel das emoções na tomada de decisão

A teoria da perspetiva (ou do prospeto) é uma explicação comportamental para as decisões de investimento, sobretudo entre alternativas que envolvem risco e incerteza. Segundo esta teoria, as potenciais perdas têm um impacto emocional maior do que os potenciais ganhos. A sua premissa central é, portanto, que os investidores têm aversão à perda.

Este pressuposto levou o economista Harry Markowitz a um novo olhar sobre a composição da carteira de investimentos. Foi assim que, em 1952, apresentou a teoria moderna do portefólio, que defende que os investidores podem redefinir a fronteira de eficiência ótima das respetivas carteiras, combinando ativos de forma a maximizar a rendibilidade para determinado risco, atribuindo pesos iguais a perdas e ganhos.

 

Desvios comportamentais nas diferentes fases do ciclo de investimento

As oscilações do mercado desencadeiam diferentes emoções nos investidores, que se concretizam em desvios (“biases”) comportamentais em relação ao que seria racional. Por exemplo, acionar o botão de pânico em situações de crash, vendendo massivamente ações e evitando comprá-las de volta até que revalorizem, poderá fazer perder boas oportunidades.

Em oposição, quando as ações valorizam podem existir sentimentos de “excesso de confiança” e “confirmação” que não permitirão avaliar os riscos adequadamente. Já o “efeito dotação”, através do qual o investidor quer manter ativos que considera demasiado valiosos, pode dificultar ganhos.

Também a formação de bolhas pode ser explicada através de um destes desvios, o “efeito manada”, em que o investidor se sente mais confortável em agir como os demais. Estas situações assinalam as fragilidades da hipótese da eficiência dos mercados, outro pressuposto das finanças tradicionais.

 

Os investidores não são todos iguais

A teoria financeira comportamental reconhece a heterogeneidade dos investidores. O estudo Behavioral Finance: The Psychology of Investing, que analisou as preferências temporais, o perfil de risco e os comportamentos de cerca de sete mil investidores em 50 países, identifica quatro tipos de investidores:

1. Investidores intuitivos
Não têm propriamente uma estratégia de investimento definida e atuam com base em emoções, sendo estas bastante vulneráveis à evolução do mercado.

2. Investidores exploradores
Embora estejam bastante familiarizados com o mercado financeiro, tomam decisões emocionais, podendo deixar de lado a estratégia de investimento inicialmente delineada.

3. Investidores realistas
Não se deixam influenciar pelas emoções, mas carecem de maior literacia financeira para avaliar adequadamente riscos e oportunidades.

4. Investidores estratégicos
Têm bons conhecimentos dos mercados financeiros e avaliam devidamente os riscos e oportunidades das suas opções de investimento. Tomam decisões objetivas, com enfoque estratégico, e não são influenciados pelas emoções.

 

O papel das finanças comportamentais

As finanças tradicionais, baseadas na hipótese da eficiência dos mercados e na otimização da carteira de investimentos através da estatística, sugerem que as decisões de investimento têm uma grande dose de matemática. Já as finanças comportamentais focam-se essencialmente no comportamento humano.

Mesmo no que toca a investimentos, imprecisões e equívocos são humanos e geram por vezes ineficiências nos mercados. A psicologia não promete criar milionários, mas pode contribuir para tornar os investidores mais atentos e capazes de evitar comportamentos que os podem impedir de ter sucesso financeiro.

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