Já avaliou a saúde financeira do seu banco?

Já avaliou a saúde financeira do seu banco?

Tal como os bancos avaliam o risco de incumprimento do pagamento de um empréstimo quando concedem crédito, atribuindo diferentes perfis de risco aos seus clientes, também pode analisar a robustez financeira do seu banco.

Alguns indicadores permitem-lhe avaliar a resistência de um banco a crises financeiras e situações adversas que afetem a respetiva liquidez, solvabilidade e rendibilidade. Vejamos.

 

Rácios de capital 

Os rácios de capital são os indicadores mais relevantes para analisar o grau de robustez financeira. Isto porque dois dos principais riscos da banca são a falta de dinheiro para pagar aos seus clientes e a dificuldade em absorver perdas.

Para amortecer o impacto de perdas inesperadas os bancos têm de manter reservas de capital, uma margem de segurança que normalmente é medida pelo rácio entre o capital e o ativo total.

Por este motivo, bancos com elevados rácios de capital são considerados mais sólidos.

 

Solvabilidade

A solvabilidade refere-se à capacidade de cumprimento de obrigações de um banco. Quanto mais elevada, melhor será a sua notação de risco. Neste âmbito importa a qualidade dos ativos e os escalões definidos pelo Comité de Basileia.

A organização estabeleceu diferentes categorias de ativos a que chamou tiers, sendo a Tier 1 a de maior qualidade. Por isso, o rácio de capital Core Tier 1 pode ser um bom indicador de solvabilidade, uma vez que expressa a relação entre os capitais core do banco (em termos de permanência e capacidade para absorver perdas como dinheiro e Obrigações do Tesouro) e os ativos, ponderados pelo respetivo risco de crédito, pesos esses fixados pelo regulador.

Desde 2014 que este rácio não pode ser inferior a 6%. 

 

Alavancagem

A capacidade de alavancagem é outro dos fatores que tem implicações no grau de robustez. Trata-se da capacidade do banco para “multiplicar” o crédito que concede em relação aos depósitos de clientes que possui (que são a sua principal fonte de financiamento). Esta capacidade é refletida no rácio crédito/depósitos, também conhecido por rácio de transformação.

Quanto maior for o valor deste rácio, maior será o grau de alavancagem do banco. Contudo, este indicador pode afetar negativamente a robustez do banco ao aumentar a sua exposição ao risco de incumprimento dos clientes.

Por este motivo, desde 2016 que os bancos têm de cumprir um rácio de alavancagem mínimo de 3% com base no capital tier 1.

 

Liquidez

Uma alavancagem elevada pode implicar problemas de liquidez, ou seja, dificuldades do banco em dispor de meios para satisfazer todos os compromissos a um custo vantajoso.

A liquidez (de curto prazo) pode ser medida pela diferença entre os ativos líquidos (disponíveis a 30 dias) e os passivos com igual período (depósitos, empréstimos e aplicações de curto prazo). Quanto maior o montante de ativos líquidos, mais facilmente podem ser convertidos em meio de pagamento.

A banca portuguesa apresentou em 2018 um rácio de cobertura de liquidez superior em 96,5% ao mínimo exigido, ou seja, os ativos líquidos de alta qualidade foram mais do que suficientes para cobrir os seus compromissos de curto prazo.

 

Rendibilidade

A capacidade que os bancos têm de gerar resultados é também um indicador da sua robustez e pode ser medida através da rendibilidade dos ativos (ROA) ou da taxa de rendibilidade dos capitais próprios (ROE).

O ROA expressa a relação entre o resultado líquido e o ativo total e indica a apetência para gerar lucros através dos ativos do banco. Já o ROE traduz o rácio entre o resultado líquido e o capital próprio e mede a capacidade do banco em criar valor com os seus próprios recursos.

Quanto mais elevados forem estes rácios mais lucrativo será o banco. Em 2018, a banca portuguesa apresentou os melhores resultados do decénio.

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