Investir em petróleo: expectativas após a queda

Investir em petróleo: expectativas após a queda

O petróleo é, há décadas, um recurso estratégico e a base energética da economia mundial. Não admira, pois, que a procura pelo chamado “ouro negro” tenha vindo a crescer de forma mais ou menos constante. No entanto, 2020 veio interromper esse ciclo e uma das principais razões para isso é bem conhecida: uma pandemia que fez abrandar substancialmente a atividade económica.

 

Os efeitos do novo coronavírus na indústria do petróleo

De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), em abril a procura por petróleo caiu 30% relativamente ao ano anterior, prevendo-se uma redução global de 10% em 2020, o que significa uma redução de 9,3 milhões de barris por dia.

Esta quebra na procura começou a ser sentida ainda em 2019, motivada por uma propensão cada vez mais vincada de alguns governos para energias alternativas, mas acentuou-se com o abrandamento da atividade económica causado pela evolução da COVID-19. A redução na procura levou a um excesso de oferta. Os principais países produtores mostraram-se incapazes de estabelecer acordos para reduzir a respetiva produção. Resultado: o preço do petróleo desceu de forma substancial.

Pela primeira vez desde 1861, o preço do petróleo West Texas Intermediate (WTI), medido pelo preço por barril nos contratos de entrega futura, foi negativo. E os contratos com entrega em maio e vencimento em abril foram negociados a preços negativos na tentativa de evitar que o comprador recebesse a matéria-prima. A razão? A capacidade de armazenamento de petróleo que existe no mundo, estimada em cerca de 3,4 mil milhões de barris, esgotou e ninguém tinha espaço para o receber. Pelo menos 160 milhões de barris acabaram mesmo por ser armazenados no mar, através de tanques gigantes.

 

Uma indústria versátil que aprendeu a recuperar 

À semelhança de outros mercados de matérias-primas, o mercado do petróleo tem-se revelado bastante sensível ao ciclo económico e aos níveis de aprovisionamento, produção e procura global. Esta sensibilidade faz com que os preços apresentem uma grande volatilidade e que possam ocorrer quedas repentinas. No entanto, a retoma é célere como se verificou aquando da crise financeira de 2008. 

Evolução do preço do petróleo WTI entre 1861 e abril de 2020 

Há que ter em conta, por exemplo, que a recuperação da pandemia já começou na China, país responsável por 14% da procura mundial de petróleo. E que, do lado da oferta, os principais países produtores chegaram enfim a acordo para cortarem na produção e, desta forma, contribuírem para a recuperação deste mercado.

 

Como investir em petróleo?

A versatilidade da indústria petrolífera também é evidente nas diferentes opções de investimento que proporciona e até na possibilidade de investir nas oscilações do preço da commodity. Se tem interesse em investir neste mercado, existem várias formas de o fazer. 

Contratos de futuros

Esta é uma opção de investimento direto. Trata-se de um contrato através do qual uma petrolífera se compromete a fornecer uma determinada quantidade de petróleo numa data futura.

  • Vantagem
    É possível obter retornos investindo na subida ou na queda da cotação do petróleo e, como a negociação é direta, pode beneficiar com a variação dos preços.
  • Desvantagem
    Níveis elevados de volatilidade e risco. Além disso, podem exigir um acompanhamento mais próximo do mercado e uma quantidade considerável de capital.

 

Contratos por diferenças (CFD)

Os CFD são semelhantes aos contratos de futuros mas não possuem data de vencimento e não envolvem o direito de receber fisicamente o ativo sobre o qual incidem. O objetivo na aquisição de um CFD é obter ganhos com a diferença entre o preço desse ativo na data de fecho da posição e o seu valor de mercado na data de abertura da posição assumida no contrato. Os CFD permitem ainda especular sobre o movimento dos preços: se os investidores esperam que o preço do ativo suba, adquirem CFD; se esperam que desça, vendem uma posição de abertura.

  • Vantagem
    Não é necessário comprar ações ou adquirir fisicamente a matéria-prima. Permitem níveis de alavancagem elevados e, assim, potenciam os respetivos ganhos. Além disso, requerem um investimento inicial (depósito) reduzido.
  • Desvantagem
    É um instrumento complexo e de risco elevado, até porque a alavancagem também pode funcionar negativamente, uma vez que pode ampliar as perdas se o ativo subjacente desvalorizar de forma repentina. Os CFD estão ainda sujeitos ao pagamento de juros diários para que o investidor possa manter a sua posição aberta.

 

Fundos de investimento

Os fundos de investimento podem ser compostos por várias ações de empresas do setor petrolífero.

  • Vantagem
    Oferecem gestão profissional, diversificação e um investimento reduzido. Além disso, permitem diversificação a longo prazo.
  • Desvantagem
    A subscrição e o resgate dos fundos exigem tipicamente um tempo elevado de espera.

 

ETF com exposição ao petróleo

Estes instrumentos financeiros são negociados em bolsa, tal como as ações, e procuram replicar a evolução de um índice de referência como o WTI. 

  • Vantagem
    A gestão é totalmente passiva, o que não exige muita atenção por parte do investidor. Além disso, oferecem elevada liquidez e comissões mais baixas.
  • Desvantagem
    O risco, tal como nas ações, é agravado pela alta volatilidade do preço do petróleo. Acresce o facto de o desempenho dos ETF no médio e longo prazo poder ser substancialmente inferior ao preço do petróleo, devido à necessidade de efetuar o rollover dos contratos de futuros. Isto é, como esses contratos têm uma determinada data de vencimento, terão de ser substituídos por outros, o que acarreta custos adicionais.

 

Opções e warrants

Formas alternativas de investir neste mercado que dão ao comprador ou vendedor a opção de negociar petróleo numa data futura mas cuja negociação compreende um nível substancial de risco. 

  • Vantagem
    Valor reduzido do investimento e liquidez elevada. É possível investir na subida ou na descida do preço do petróleo.
  • Desvantagem
    Produto com níveis de risco, alavancagem e complexidade substancialmente elevados e cuja negociação exige, por isso, conhecimentos financeiros avançados.

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