Investimento de impacto: uma tendência com futuro?

Investimento de impacto: uma tendência com futuro?

O investimento de impacto – uma tendência em quarto crescente – tem vindo a ganhar uma importância gradual e já significativa no universo financeiro e suporta-se numa excelente combinação: as fintech e os millennials.

Investimento de impacto: a união entre o financeiro, a tecnologia e a juventude

Estudos recentes demostram que o investimento de impacto é um tema que sensibiliza sobretudo os millennials. Estes já representam 27% da população global e uma fatia relevante da população ativa. Poderá ser, por isso, imprudente a indústria financeira ignorar as suas preferências e o forte potencial de procura futura.

Presentemente, a procura por este tipo de investimento está implícita no aumento para o dobro do investimento mundial de impacto estimado pela GIIN. De acordo com a McKinsey, prevê-se que a indústria do investimento de impacto cresça mais de 300 mil milhões de dólares até 2020, embora seja ainda apenas uma gota no oceano no universo de 2,9 biliões de dólares de private equity até 2020.

A Europa segue a mesma tendência. A Eurosif (organização que promove o investimento responsável na Europa) publicou recentemente um estudo sobre o estado de arte do SRI (Socially Responsible Investment) na Europa, no qual o investimento de impacto mereceu destaque pelo seu desempenho nos últimos seis anos ter registado um aumento de 52%. Este crescimento não é alheio à operacionalização dos mecanismos de apoio ao empreendedorismo social e ao capital de risco da União Europeia. É mais um sinal do reconhecimento da importância deste investimento também pelos decisores políticos.

Evolução do investimento de impacto na Europa (2011-2017)

Tendências do investimento de impacto

Com base na auscultação de um naipe de especialistas diversificado que atua neste mercado, a revista Forbes identifica tendências e comportamentos que dão boas razões, além do interesse dos millennials e do crescimento das fintech, para pensar neste tipo de investimento como o investimento do futuro:

  • Foco na realidade e não em cenários virtuais, uma vez que visa resolver problemas reais;
  • Aposta na criatividade e nas pessoas;
  • As startups têm vindo a abraçar modelos de negócio que servem efetivamente a sociedade e a palavra “impacto” está a deixar de ser utilizada como instrumento de marketing;
  • Crescente consciencialização dos consumidores que estão interessados em saber a magnitude e o poder transformador do impacto dos investimentos;
  • Mobilização do capital para causas sociais nos modelos de negócio de empreendedorismo social (refugiados, migrantes, tráfico humano);
  • Melhoramento do cálculo do impacto;
  • Os investidores esperam agora que este investimento acompanhe ou supere o retorno dos investimentos tradicionais, em vez de estarem dispostos a sacrificarem o retorno financeiro;
  • Há um número crescente de investidores que planeia os seus investimentos com a finalidade de criar impacto.

 

Além destes aspetos, a Forbes menciona ainda as áreas que têm vindo a ganhar importância neste investimento: transportes públicos, banca comunitária, agricultura de pequena escala, bem como o cluster da economia criativa – no qual a ONG Upstart Co-Lab identificou 100 fundos de impacto ativos – e ainda o investimento em soluções de problemas globais como a permanência de plástico nos oceanos e na adoção de comportamentos relacionados com a economia circular.

Mas não é só. De acordo com o que sugere Andrea Armeni, CEO da ONG Transform Finance, o investimento de impacto arrisca mudar paradigmas: “Não é como o produto ou serviço cria impacto, mas como eu crio impacto, como a riqueza é criada e o seu efeito nas pessoas.”

O binómio rendibilidade/risco

Rendibilidade      

Existe o preconceito de que nos negócios de SRI é necessário sacrificar uma parte do retorno financeiro em benefício do retorno social. No entanto, o GIIN Annual Impact Investor Survey de 2017 revelou que os retornos obtidos estiveram em linha com os objetivos estratégicos dos investidores e que dois terços dos investidores indicaram que as rendibilidades obtidas são competitivas com as taxas de retorno do mercado. Mais: 15% dos investidores revelou que os mesmos superaram as suas expectativas e 90% dos investidores atingiram ou superaram as suas estimativas de ganhos financeiros.

A rendibilidade financeira nos investimentos de impacto conta... e não parece não ser pouco. De acordo com um estudo da McKinsey efetuado na Índia que analisou 48 investimentos de impacto entre 2010 e 2015, estas opções de investimento ofereceram uma taxa interna de rendibilidade média de 10% e um terço desses negócios apresentou uma taxa de rendibilidade interna média de 34%. 

Risco

Tal como no investimento tradicional, o escrutínio dos riscos financeiros implícitos mantém-se, embora as empresas/organizações que recebem este tipo de investimento tenham características diferentes das demais, que lhes pode conferir algum risco. A McKinsey aponta algumas:

  • Know-how e estabilidade financeira para desenvolver um modelo de negócio viável, bem como disciplina financeira;
  • Dificuldade em avaliar essas empresas/organizações devido ao seu elevado grau de diversificação, abrangendo vários setores e diferentes graus de risco, a que acresce a dificuldade de harmonização de padrões para avaliar os impactos sociais e ambientais e que dificulta essa tarefa. Não existe propriamente uma classificação universal para investimento de impacto que identifique o seu risco (ex.: uma notação de rating para cada empresa/organização), mas sim um conjunto de critérios de classificação e seleção que são comuns entre as várias entidades e que permitem uma melhor mensurabilidade.

 

Com efeito, também neste tipo de investimento as decisões são tomadas em função do trade-off rendibilidade/risco, como qualquer outro investimento, pois o seu intuito mantém-se: obter a rendibilidade máxima ajustada ao risco.

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