Inflação: a inimiga da poupança

Inflação: a inimiga da poupança

Ouvimos dizer, desde tenra idade, que poupar é a chave para um futuro de sucesso. Crescemos e continuamos a acreditar que, se pouparmos continuamente ao longo dos anos, estaremos prontos para lidar com qualquer adversidade e conseguiremos atingir o nosso sonho, seja ele tirar um curso no estrangeiro – imaginemos, um MBA na Universidade de Harvard – ou dar a volta ao mundo.

Então poupar é bom, certo? Certo. Mas a poupança tem um inimigo silencioso que se movimenta sem que demos por isso: a inflação. E o que faz este inimigo? É simples: no tempo que decorre entre o início do seu “pé de meia” e o momento em que o utiliza, a inflação retira valor a cada euro poupado.

 

Afinal, o que é a inflação?

Imagine que está a encher um balão com ar, mas que este tem um furo. Esse furo é a inflação, ou seja, é algo que impede que o balão fique cheio e lhe retira, persistentemente, volume. Financeiramente falando, a inflação corresponde ao declínio do valor de unidade como resultado do aumento generalizado do preço dos bens de consumo ao longo do tempo.

Vamos a exemplos concretos? O preço da “bica” que qualquer bom português gosta de beber de manhã ou a seguir ao almoço tem vindo a aumentar nas últimas décadas. Enquanto que, em 1998, um café custava 85 escudos (ou 42 cêntimos do euro), hoje custa-nos 0,65 euros, em média – ou seja, em 20 anos o preço aumentou 53%. Uma vez mais, isso é a inflação.

Mas há algo muito importante que não deve ignorar: este silent killer não afeta apenas o valor atual das suas poupanças, mas também o valor futuro. Isto porque, muitas vezes, os aforradores não consideram a diferença entre as taxas de juro comunicadas pelas instituições bancárias e as taxas de juro reais.

 

Então… poupar será suficiente?

Quer esteja a poupar para a reforma, para uma viagem de sonho, uma casa ou para os estudos dos seus filhos, a verdade é que a concretização dessas metas será dificultada, ao longo dos anos, por perdas significativas do seu poder de compra, como resultado do impacto da inflação. Não se preocupe, porém, porque nem tudo são más notícias: existem alguns mecanismos de proteção que lhe permitem derrotar este inimigo silencioso.

É mais fácil perceber este conceito através do seguinte cenário: imagine que decide poupar 50 euros por mês para daqui a dois anos fazer uma viagem em família por 1200 euros. Se a inflação for de 5% ao ano, e não tiver aplicado a sua poupança, quando chegar a altura de fazer a viagem terá 1200 euros poupados, mas, entretanto, a viagem já terá aumentado de preço em pouco mais de 10%, custando agora cerca de 1320 euros.

  • Tempo
    Quanto mais cedo decidir poupar, maior será o tempo ao longo do qual poderá beneficiar da capitalização de juros, dividendos ou cupões. E mais: a reaplicação desses rendimentos também poderá ajudar a contornar os efeitos da inflação.

 

  • Investimento
    Se se limitar a deixar as suas poupanças no banco, intocadas, então vencer esta guerra com a inflação será bastante difícil. O investimento é um mecanismo importantíssimo para fazer render o seu dinheiro e alcançar, talvez até num período de tempo mais curto do que espera, os seus objetivos financeiros.

 

  • Diversificação
    Não é recomendável concentrar todas as suas poupanças num só investimento. É essencial que divida o mal pelas aldeias, ou seja, que reparta o seu investimento por classes de ativos diferentes (ações, obrigações, fundos ou imobiliário) que não estejam diretamente correlacionados entre si. Dessa forma, se um dos investimentos não trouxer resultados, os ganhos obtidos com os outros podem compensar a perda.

 

  • Orientação
    Já percebeu por esta altura que o investimento é a grande arma para combater a inflação que ameaça as suas poupanças. Mas aventurar-se neste novo mundo sozinho, e pela primeira vez, pode parecer intimidante. É natural. E é por isso que não deixa de ser importante procurar ajuda profissional. Os especialistas financeiros são uma ajuda preciosa para traçar um plano de poupança e/ou investimento que lhe permita rentabilizar o seu capital.

 

Variação da taxa de inflação em Portugal desde 2008 e previsões

 

Sabia que...

O FMI prevê que a taxa de inflação em Portugal passe de 1,6% em 2017 para 2% em 2018.

 

Em resumo

A inflação tende, ao longo do tempo, a retirar poder de compra aos consumidores e a ameaçar as suas reservas financeiras. Combater este inimigo pode passar por investir, ou seja, utilizar o seu dinheiro para comprar ativos que terão probabilidade de gerar uma boa rentabilidade ao longo do tempo. Para tomar decisões adequadas ao seu perfil e traçar um bom plano de combate à inflação, considere recorrer a um especialista financeiro.

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