Estratégias de investimento: como evoluem com a idade?

Estratégias de investimento: como evoluem com a idade?

Diz a teoria que a forma como investimos varia com a fase da vida em que nos encontramos. A prática por vezes contradiz.

De acordo com a DMIF II – o conjunto de regras que regula o aconselhamento financeiro e orienta os especialistas na elaboração das suas propostas de investimento – a forma como investe irá sempre depender, acima de tudo, da alteração (ou não) do seu perfil de risco enquanto investidor. Daí decorre a importância de rever pelo menos de dois em dois anos questões como a evolução do valor dos seus compromissos financeiros regulares, o número atual de dependentes a seu cargo ou a forma como pretende distribuir o valor global dos investimentos em termos temporais.

Qualquer idade é boa para começar a investir, muito embora a estratégia e o estilo de investimento para cada fase da vida possam mudar, acompanhando os desafios e responsabilidades financeiras que vão surgindo. Seja como for, existem as “verdades inquestionáveis” para o sucesso financeiro:

  • Poupou tanto quanto lhe foi possível;
  • Investiu sempre de acordo com a sua tolerância ao risco, horizonte temporal e objetivos de retorno.

 

Sejam quais forem os seus objetivos e o momento da sua vida é importante partilhá-lo com o seu consultor de investimento, que, considerando todas as suas preocupações e usando várias ferramentas para as avaliar, pode aconselhá-lo e ajudá-lo a rebalancear o seu portefólio sempre que as suas necessidades o exijam.

Esta abordagem teórica ao investimento leva a idade e o ciclo de vida em conta e procura alocar o património de forma mais defensiva ou mais agressiva sempre de acordo com a lógica de diversificação do portefólio (que tem como objetivo minimizar perdas) e procurando gerar uma rentabilidade atrativa para o investidor em cada etapa.

 

Ciclos de investimento por fases da vida

Em termos globais, estas poderão ser descritas como as principais fases da vida que vão marcando as suas necessidades de investimento:

Início de vida (até ao primeiro emprego)

Ainda não começou a ganhar dinheiro mas, graças aos familiares que colocaram algumas quantias em seu nome, pode já ter algumas economias. Este primeiro empurrão é importante para lhe dar algum conforto e incentivá-lo a ganhar hábitos de poupança.

Existe uma grande vantagem nesta fase: o tempo. Este é tão mais importante quanto o seu método, ou seja, se seguir uma estratégia de capitalização dos ganhos ou de reinvestimento pode potenciar ainda mais as suas poupanças. 

Após o primeiro emprego (20 a 30 anos)

É a fase de maior liberdade, uma vez que já existe rendimento próprio mas os encargos fixos e as responsabilidades ainda são reduzidos. Provavelmente tem muitos sonhos por cumprir – que vão precisar de financiamento. Também já é a altura ideal para canalizar parte do ordenado para um fundo de maneio e começar a traçar um plano financeiro, equilibrando hábitos de despesa e de poupança.

Nesta fase é aconselhável abrir uma conta poupança e iniciar um fundo de emergência com contribuições mensais. Em termos de investimento tende-se a assumir mais risco nesta fase, pois o tempo continua a seu favor, o que permite absorver as possíveis mudanças do mercado (ciclos de mercado).

Quando chega aos 30 anos (até à compra de uma casa ou ao nascimento de um filho)

Novas responsabilidades, eventualmente uma menor capacidade de poupança e novos objetivos. Se casou ou comprou casa, chegou o momento de reajustar o seu orçamento e modificar ou repensar alguns hábitos ou despesas. Se teve filhos equacione a manutenção de um fundo para a futura educação da família, por exemplo.

Mesmo que não esteja a poupar a pensar nos filhos, deve orientar as suas decisões financeiras tendo atenção à necessidade de poupanças para a reforma. Debata as melhores soluções para si com um consultor de investimentos e não descure a rentabilização das suas poupanças. Tenha como objetivo combater a inflação.

A fase dos 40 anos

Talvez já tenha começado a destinar uma parte do seu rendimento para a reforma. Se ainda não o fez, considere subscrever um Plano Poupança Reforma (PPR), uma ferramenta de poupança flexível e adaptável ao risco que está disposto a correr em cada etapa. Nesta fase é também aconselhável manter e reforçar as suas poupanças e respetivos investimentos, pois possivelmente estará a viver a fase do pico da sua carreira.

Nesta fase ainda tem algum tempo para recuperar os seus investimentos (se for caso disso), mas possivelmente irá começar a adoptar uma estratégia mais equilibrada. No campo dos investimentos não se esqueça de rebalancear o portefólio e garantir que continua a diversificar (por tipo de ativos, geografias e moedas).

Quando se aproxima da reforma (50 e 60 anos)

Nesta fase, por se estar a aproximar da reforma e tendo em conta as mudanças demográficas na população – nomeadamente o aumento da esperança de vida –, não deve perder o foco, de forma a garantir que, mesmo nos muitos anos que pode ficar inativo profissionalmente, vai querer continuar a manter um nível de vida confortável.

No que toca a investimentos é recomendado que a exposição ao risco diminua à medida que o momento em que terá de utilizar o dinheiro que investiu se aproxima. Por isso, é expectável que neste período haja uma maior prudência na estratégia financeira a seguir, além de que os gastos financeiros pessoais também podem aumentar. É altura de fazer um novo balanço e estimar o valor do seu património, mantendo o foco na almofada financeira que tem vindo a construir.

 

A reter

Esteja onde estiver no que diz respeito a ciclo de vida e de investimentos, o tempo é o seu parceiro nesta caminhada. Deve sempre procurar que corra a seu favor. Quanto mais longo for o período de tempo do seu investimento, mais ciclos económicos irá atravessar. Conseguirá assim mitigar (mais eficazmente) os riscos que vão surgindo. E, numa perspetiva a longo prazo, irá quase certamente atravessar quer períodos de expansão quer períodos de contração dos mercados na gestão do seu dinheiro.

Acima de tudo, e embora o horizonte temporal seja sempre relevante para a solução final escolhida, existe uma terceira “verdade inquestionável”: as alternativas devem ter sempre em conta as suas necessidades. Ou seja, você é o centro das tomadas de decisão.

O BiG pode ajudá-lo

Receba a nossa newsletter

Fique a par das últimas novidades do BiG e receba periodicamente os nossos conteúdos.