Está preparado para investir?

Está preparado para investir?

É certo e sabido que os depósitos à ordem rendem pouco. E que os depósitos a prazo também já não são o que eram. Pelo menos a julgar pelas taxas de juro, que no final de 2016, se ficavam, em média, por apenas 0,34%, de acordo com o Banco Central Europeu – um mínimo histórico que contrasta com os mais de 3% verificados há uma década. Perante este cenário cada vez menos apetecível impõe-se a questão: como fazer o dinheiro render?

A resposta mais evidente parece ser investir. Mas estará preparado? Será que afinal de contas todos podemos ser investidores?

Antes de decidir, vale a pena debruçar-se sobre algumas questões.

 

Está disposto a arriscar o seu dinheiro?

Investir é inevitavelmente sinónimo de risco, mas já existem atualmente inúmeras estratégias de investimento cujo objetivo principal é a preservação do seu capital. Se é um adepto convicto da máxima “um pássaro na mão é melhor do que dois a voar”, talvez ainda não esteja preparado para o mundo dos investimentos. As alternativas, neste caso, serão mesmo as que já lhe são familiares: os depósitos a prazo ou os produtos de capital garantido – que, importa esclarecer, não significam necessariamente um “retorno garantido”.

Imagine, por exemplo, que o investimento é um prédio de quatro andares onde quanto mais alto se ascende, mais apelativos são os apartamentos. E imagine que tem de escolher um andar para morar, mas sofre de acentuadas vertigens.

Para não correr riscos, pode perfeitamente ficar-se pelo humilde rés-do-chão dos depósitos a prazo. No entanto, se acha que é capaz de suportar uma ocasional tontura, talvez lhe seja mais proveitoso subir um pouco mais.

 

Primeiro andar

Corresponde aos produtos de capital garantido, onde o maior risco que corre é o de terminar com o mesmo capital que investiu.

 

Segundo andar

Corresponde aos produtos de risco limitado, onde a “vertigem” do risco se restringe a um máximo de 5 ou 10%.

 

Do terceiro andar até à cobertura

Corresponde aos ativos com cotação de compra e venda, como ações e obrigações, e ainda os produtos compostos por estas, como fundos de investimento, seguros de capitalização, planos de poupança-reforma, etc.

 

A principal ideia a reter é que pode morar onde quiser. Existem andares para as mais diversas resistências. Tal como existem investimentos adequados aos mais diversos perfis de risco. No entanto, se quer investir o seu dinheiro, é essencial que tenha pelo menos alguma tolerância a eventuais perdas, tanto reais como potenciais – isto porque um investimento pode apresentar variações negativas durante algum tempo, mas a perda só passa de potencial a real no momento do resgate. O que nos conduz à segunda questão...

 

Está disposto a esperar pelo retorno?

Investir também significa ter tempo. Não é o mesmo que comprar uma raspadinha ou apostar no Euromilhões. Se os objetivos que definiu para o dinheiro que espera ganhar são de curto prazo, talvez não seja o momento para começar a investir. É um facto que existem alternativas de risco elevado, geralmente independentes de aconselhamento especializado, previstas para aqueles que procuram retornos imediatos, mas os outros – a esmagadora maioria dos investidores – devem estar conscientes do horizonte temporal.

Isto significa que deve apenas investir dinheiro de que prevê não necessitar no horizonte temporal recomendado para o investimento que quer fazer. Mesmo quando se trata de um investimento de risco médio ou baixo.

Tenha também em mente que um ativo tem uma cotação para ser negociado e que pode apresentar variações entre o momento da compra e o final. Se não está disposto a esperar que um determinado produto atinja a maturidade e acha que poderá precisar do dinheiro a investir durante o próximo ano (pelo menos), então talvez ainda não seja a altura para começar a investir.

 

 

Estou preparado para investir. E agora?

Está disposto a assumir algum risco e tem algum dinheiro de lado de que não vai necessitar no futuro próximo? Seja bem-vindo ao extraordinário mundo dos investimentos. Todavia, antes de dar efetivamente o primeiro passo, há três coisas que deve saber.

 

1. A diversificação é sua amiga

Há muita sabedoria no provérbio popular que nos aconselha a não colocar todos os ovos na mesma cesta. Não é que se tenha obrigatoriamente de colocar um único ovo nas várias cestas disponíveis, mas facilmente se compreende que uma carteira de investimentos diversificada reduz significativamente o risco, na medida em que se um não tem o retorno esperado, há sempre a possibilidade que outro nivele a balança a seu favor. Esta diversificação pode ser tanto ao nível de emitente como de classe de ativos, e ainda geográfica, cambial, etc.

 

2. Não dê ouvidos a conversas de café

Talvez um conhecido seu – que até conhece o PSI-20 como a palma da própria mão – ou um qualquer guru das finanças pessoais lhe tenha soprado ao ouvido investimentos mágicos com garantia absoluta de sucesso. Não acredite em tudo o que ouve. E também não se deixe levar por palpites. Mais do que confiar cegamente na sua intuição ou no que lhe é indicado, deve procurar compreender a fundo o seu investimento e o que pode esperar dele em cenários mais e menos favoráveis. Lembre-se que, nas conversas de café, ninguém gosta particularmente de partilhar as histórias de insucesso.

 

3. Estar preparado para investir é também estar preparado para aprender

Quer investir? Aprenda o que significam os vários conceitos da linguagem financeira. Compreenda os vários tipos de ativos em que pode aplicar o seu dinheiro. Tome decisões informadas. Não precisa de ser um perito logo à partida, o seu gestor financeiro pode ajudá-lo a dar os primeiros passos, mas não deixe de fazer o seu trabalho de casa. É impensável que invista o seu dinheiro em algo que nem sequer sabe muito bem o que é.

 

A reter

Está preparado para investir? Sim, desde que esteja preparado para arriscar o dinheiro que colocou de lado e de que não espera precisar no futuro a médio ou longo prazo. Informe-se bem sobre o assunto, assuma um objetivo claro – e realista – para o seu investimento, aposte na diversificação e muito possivelmente estará a fazer melhor do que se deixasse o dinheiro parado no banco, atendendo às atuais taxas de juro.

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