Dividendos: o rendimento passivo que procura?

Dividendos: o rendimento passivo que procura?

Investir em ações é normalmente associado ao curto prazo, a uma maior tolerância ao risco e à necessidade de acompanhar regularmente a evolução do mercado. Mas sabia que é possível gerar rendimentos regulares numa lógica de longo prazo também através do investimento em ações? A isto chamamos rendimento passivo. 

Rendimento passivo vs. rendimento ativo

O exemplo mais clássico do rendimento passivo costuma ser atribuído (única e injustificadamente) aos investimentos no mercado imobiliário. Investiu na compra de uma casa e arrendou-a posteriormente a um inquilino? Por resultar de um investimento inicial que gera retornos periódicos com um esforço mínimo de manutenção e acompanhamento, a renda que recebe mensalmente pode ser considerada um rendimento passivo.

O rendimento ativo, por sua vez, é aquele que exige o seu esforço regular e, tal como o nome indica, consiste na troca do seu tempo ativo por dinheiro – geralmente até se refere ao seu emprego. Basta pensar que é pago a partir do momento em que começa a trabalhar mas, quando sai do trabalho, deixa de receber dinheiro. Ao contrário, o rendimento passivo gera retorno independentemente do tempo ativo que lhe dedica. 

O que é o investimento passivo?

O rendimento passivo é normalmente um extra ao rendimento gerado pelo seu emprego. Em traços gerais, consiste numa segunda fonte de rendimento, embora não possa ser encarado como um segundo trabalho. O rendimento passivo advém de um estilo de investimento (também) passivo que em termos financeiros…

  • Consiste em aplicações de capital a longo prazo que geram pagamentos regulares;
  • Baseia-se na máxima “devagar se vai ao longe” com o objetivo de aumentar gradualmente a riqueza;
  • É influenciado pela assunção de que a longo prazo o mercado gera rendimento positivo;
  • Tem custos de comissões e negociações geralmente mais baixos;
  • O valor de investimento mínimo é bastante inferior (ao do mercado imobiliário);
  • Permite uma menor dependência do consultor financeiro;
  • Não exige um acompanhamento diário (e tão exigente)dos mercados.

 

Investimento passivo vs. investimento ativo

Apesar de vários estudos revelarem que o investimento passivo é aquele que tem tido melhores resultados para a maioria dos investidores, a estratégia mais aconselhada pode porventura ser uma combinação dos dois estilos: depende do seu perfil e objetivos enquanto investidor.

Poderá eventualmente considerar que o investimento passivo é uma estratégia mais adequada para si. Mas, na prática, como funciona? Tomemos como exemplo o investimento em ações.

As ações e o rendimento passivo: é possível?

Já em 1949, no seu livro O Investidor Inteligente, Benjamim Graham enunciava várias estratégias de investimento em ações, não descurando naturalmente aquelas que destacam este ativo como potenciador de crescimento de capital a longo prazo.

Investir em ações de empresas maduras que distribuem dividendos regularmenteno longo prazo é uma das formas mais simples para os investidores criarem rendimento passivo.Como as empresas que pagam dividendos mais elevados pertencem geralmente a setores mais maduros e defensivos (o de bens de consumo essencial, o farmacêutico, o imobiliário e o das utilities), as variações de preço das ações tendem a ser menores face às ações de empresas em crescimento.

Assim, tal como o investimento na compra de uma casa para arrendar, o investimento em ações permite:

  • Valorização ao longo do tempo
    Historicamente as ações têm uma tendência para valorizar mais a longo prazo do que qualquer outra classe de ativos.
  • Pagamentos regulares
    A periodicidade de entregas pode ser um ponto forte: os dividendos das ações americanas, por exemplo, são geralmente pagos trimestralmente; no caso das ações portuguesas e europeias, o pagamento tende a ser anual.

 

Como escolher as ações a investir

A quantidade de dividendos que uma empresa paga aos seus acionistas (os tais pagamentos regulares) não deve ser o único fator a ter em conta na escolha das ações a investir. Se geralmente o aspeto mais atrativo pode ser a elevada rentabilidade do dividendo (dividend yield), também há que compreender que a mesma pode ser motivada pela descida do preço da ação, por isso é importante ter em conta aspetos como:

  • Maturidade do setor a que pertence a empresa, evitando setores que estejam em dificuldades;
  • Compromisso da equipa de gestão em manter a política de dividendos;
  • Empresas com estatuto de “dividendos aristocratas”;
  • Consistência dos lucros.

 

A reter

Se o seu objetivo é fazer um investimento financeiro que lhe exija pouco tempo e que possa garantir-lhe rendimentos periodicamente, não se esqueça de analisar igualmente alternativas de investimento passivo em ações suportadas por especialistas financeiros. Mas, além de ações, pode também escolher investir noutras aplicações de capital que gerem rendimento passivo.

 

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