Diversificar ou não: eis a questão

Diversificar ou não: eis a questão

O exemplo costuma ser dado recorrendo a ovos. Por isso cá vai: imagine que tem uma capoeira cheia de galinhas e que, uma certa manhã, devidamente equipado com um grande cesto, vai recolher os ovos que elas puseram durante a noite. Imagine também que choveu nessa mesma noite e que o terreno que vai desde a capoeira até à sua casa está particularmente enlameado e instável. A partir daqui existem duas possibilidades:

  • O trajeto até casa decorre na perfeição e prepara uma bela omelete para celebrar;
  • O trajeto até casa é atribulado: acaba por escorregar, o cesto escapa-lhe das mãos e os ovos partem-se ao cair no chão.

 

Claro que não é certo, à partida, que vá ficar sem ovos. Mas, existindo essa possibilidade, não lhe parece mais prudente dividi-los por mais do que um cesto? Assim, se por acaso acontecer um qualquer percalço no caminho para casa, talvez consiga impedir que pelo menos um dos cestos acabe no chão. Talvez consiga reduzir o risco de ficar sem ovos, mantendo o objetivo inicial de os transportar a todos.

Mas esqueçamos os ovos.

No mundo dos investimentos, onde o mercado pode ser um terreno ainda mais instável do que aquele que imaginou no cenário introdutório, poderá ser menos aconselhável investir todo o seu dinheiro numa única hipótese. Tudo depende do tipo de investidor que é, mas se preferir dividir o mal pelas aldeias – outro pedaço de sabedoria popular que traduz a mesma ideia – saiba que estará a diversificar o seu portefólio.

 

Diversificar para quê?

Se a moral da história dos ovos não lhe passou ao lado, já percebeu que o principal objetivo de diversificar é reduzir o risco do seu investimento. E sim, realizar dinheiro implica sempre algum risco – até mesmo quando poupa, sabia?

Todos gostaríamos de duplicar o nosso dinheiro de um dia para o outro sem qualquer risco, mas a melhor hipótese de isso acontecer é se descobrirmos um tesouro enterrado no quintal. Altamente improvável.

Investir sensatamente é procurar utilizar uma estratégia de planeamento financeiro que atenue a incerteza e o risco nos seus investimentos (vulgarmente chamada de alocação de ativos).

É essencial, para tal, estudar as diferentes classes de ativos – sejam elas ações, obrigações, fundos, ETF, matérias-primas, metais preciosos, etc. – e compreender que as diferentes classes de ativos oferecem riscos e, naturalmente, retornos diferentes.

A alocação de ativos tem um papel crucial no sucesso da estratégia de investimento, pois ajuda a reduzir a volatilidade (oscilação de valor) no portefólio, quando nem todos os investimentos sobem ou descem, ao mesmo tempo. Vejam-se os seguintes exemplos:

  • Analisando o histórico do mercado, é possível verificar que o setor financeiro tem um desempenho interessante quando as taxas de juros sobem.
  • Também durante a chamada silly season – correspondente às épocas de verão e Natal – é habitual verificar-se um aumento nos custos dos combustíveis. Por essa razão há quem olhe com especial atenção para o petróleo durante estes períodos.
  • Existem classes de ativos como os fundos e os ETF que, por incorporarem vários tipos de ativos provenientes de várias indústrias e setores, permitem-lhe diversificar com apenas um título em carteira. Há ETF que preenchem estes requisitos e que poderá estudar com maior detalhe.

 

Diversificar o seu portefólio com ativos de diferentes classes ou com características distintas não significa, no entanto, que está realmente a diversificar. Embora seja importante diversificar por classe de ativos e dentro de cada categoria, deve procurar ativos que não estejam diretamente correlacionados.

Neste sentido não lhe servirá de muito tentar diversificar e investir, por exemplo, em dois ETF que atuem nas mesmas áreas. Procure ativos de acordo com estratégias distintas, que não se toquem. A isto se chama verdadeira diversificação.

A esta boa prática deve também juntar a de reajuste da sua carteira aos vários ciclos económicos. Assim, pode conseguir diminuir o risco desta sem comprometer de forma significativa a sua rentabilidade.

 

Qual é a melhor forma de diversificar?

Na realidade não existe uma fórmula ideal para alocar ativos. A diversificação do seu portefólio depende sempre do seu perfil enquanto investidor.

Por exemplo: que idade tem? É que, por estranho que possa parecer, esta é uma questão que pode influenciar a sua alocação de ativos. Basta pensar que, à medida que os anos passam por nós, também as nossas preocupações e os nossos objetivos vão mudando, bem como o tempo que idealizamos para os concretizar. A idade pode inclusive alterar o nosso perfil de risco como investidor – e, por falar nisso, considera-se um investidor agressivo, moderado ou conservador?

Outras questões a ponderar:

  • Que nível de risco está disposto a aceitar?
  • Que montante está disposto a investir?
  • Qual é o horizonte temporal do investimento?
  • Quais são os seus objetivos em termos de retorno?

É com base em todas estas respostas que o especialista financeiro que o acompanha poderá ajudar a identificar a melhor estratégia de investimento para si.

 

A reter

Diversifique – a sério – para reduzir o risco. Investir de forma informada não é apenas selecionar ações que pareçam promissoras; é alargar a sua visão de mercado, definir percentagens de capital a alocar a cada ativo e procurar investir a longo prazo para poder fazer uma avaliação rigorosa do seu desempenho.

A sua alocação de ativos deve ser feita de forma estratégica, contemplando flutuações expectáveis do mercado, mas respeitando as suas necessidades pessoais e os seus objetivos específicos. Mais: a alocação deve ser revisitada periodicamente e sempre que algum destes fatores se alterar.

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