Como investir em infraestruturas

Como investir em infraestruturas

As infraestruturas fazem parte da nossa vida. Usamo-las todos os dias quase sem dar conta e sem elas seria impossível a existência das economias mundiais tal como as conhecemos. É esta importância e abrangência que as tornam essenciais e estratégicas.

 

As infraestruturas e o que representam nos mercados

Pontes, barragens, estradas, redes de transporte, sistemas de energia, água e esgoto. Todos eles são exemplos de infraestruturas. E compete, em grande parte, aos Estados o seu planeamento e provisão, bem como grande parte do seu financiamento.

Investir neste setor não é de todo uma novidade, pois o mesmo faz parte do portefólio de diferentes investidores desde o século XIX. Mas foi nos anos 80, com o advento das privatizações em diferentes países, que o investimento privado em infraestruturas ganhou impulso. Na década de 90, na Austrália, as infraestruturas popularizaram-se como uma classe de ativos e até ao início dos anos 2000 expandiu-se na Europa e nos Estados Unidos.

As privatizações (venda direta) ou concessões (arrendamento) são duas formas de atuação de empresas privadas no setor das infraestruturas. Também as parcerias público-privadas (PPP) visam captar investimento privado para projetos de infraestruturas projetados pelos governos, mas para os quais não pode não existir financiamento público ou é mais eficiente, do ponto de vista de gestão, que os projetos sejam operados na esfera privada.  

Atualmente, o mercado global de infraestruturas representa 3 biliões de dólares por ano em áreas que incluem o tratamento de ar e água, comércio, comunicações, transportes eficientes, smart infraestruture assente na digitalização, big data e robótica. Mas pode, na verdade, ascender a 21 biliões de dólares por ano nos próximos 30 a 40 anos.

 

Tipos de infraestruturas:


Infraestruturas de transporte

Aeroportos, ferrovia, estradas, portos e redes de metro são alguns exemplos de infraestruturas de transporte.

As empresas de construção de obras públicas nacionais como a Mota-Engil, a Teixeira Duarte ou a Soares da Costa são apenas alguns exemplos de operadores neste mercado. Mas também existem bons exemplos estrangeiros, como a italiana Atlantia, as espanholas Aena, Ferrovial e Abertis ou as francesas Getlink e Vinci.


Infraestruturas para produzir e transportar bens essenciais

Bens como água, gás natural ou eletricidade, também conhecidos como utilities, precisam de infraestruturas como rede elétrica, oleodutos e gasodutos para chegarem até aos seus consumidores finais.

Neste segmento destacam-se, entre outras empresas, as norte-americanas Dominion Energy e American Water Works, a canadense Enbridge, a espanhola Iberdrola ou as francesas Veolia e Engie.

Já em território nacional, importa destacar empresas como a EDP, EDP Renováveis, Greenvolt e REN (responsável pelas infraestruturas elétricas).

Infraestruturas de dados

A terceira grande classe de infraestruturas diz respeito às comunicações. Nesta classe inserem-se as torres de telecomunicações e centros de dados. Um setor em que se destacam as empresas Cellnex, INWIT ou Equinix.  

 

Porquê investir em infraestruturas?


As infraestruturas são essenciais

O crescimento da população e da economia exigem continuamente novas infraestruturas que precisam de novos investimentos, de manutenção, renovação e até mesmo de substituição com o passar dos anos.

Por esse motivo, o investimento privado é fulcral para complementar os orçamentos públicos que são insuficientes.

 
Investimento em “ativos reais”  

Os investidores têm uma confiança acrescida neste tipo de investimento. Isto porque estão a investir em ativos físicos como pontes, estradas, sistemas de saneamento e de energia.


Fluxos de caixa estáveis ​​e constantes

O rendimento gerado neste setor é estável e previsível, uma vez que a “obra” vem com um modelo de receita regulada e contratada com o governo por um determinado período de tempo de médio a longo prazo.


Setor não cíclico

As infraestruturas são sempre necessárias e amplamente utilizadas independentemente das fases do ciclo económico.

 

Os riscos de investir em infraestruturas 

Apesar de o investimento em infraestruturas ter benefícios assinaláveis, há desafios que requerem alguma atenção.


Risco político

A construção de infraestruturas está muito dependente dos Estados, que são, simultaneamente, legisladores, potenciais financiadores e fiscalizadores.

Adicionalmente, os Estados podem também impedir a realização, ou colocar barreiras temporais à realização, de determinados projetos.  

Elevada alavancagem

Obras de grande envergadura pedem investimentos avultados e por períodos alargados. Para os assegurar é usual o recurso a empréstimos que, dado o montante, acarretam grandes encargos com juros.

Se as receitas geradas não forem suficientes para fazer face aos juros ou se existirem grandes discrepâncias de custos, o retorno do investimento é significativamente afetado.

Risco ESG

O risco ambiental, social e de governo de sociedade é uma parte importante da infraestrutura que pode pôr em causa a respetiva construção. Isto porque pode ter um impacto social considerável na comunidade local ou provocar danos ambientais que não podem ser ignorados.

 

Começar a investir em infraestrutura

É possível investir diretamente através da compra de ações de empresas do setor, de ETF ou de fundos de investimento expostos ao setor da construção e das obras públicas.

O índice S&P Global Infrastructure Index contém as maiores empresas do mundo em infraestrutura e pode ser uma referência para a seleção de empresas.

Por fim, o Fund Mix Infraestruturas, do BiG, também se apresenta como uma boa forma de acompanhar esta tendência, já que disponibiliza fundos com empresas do setor das infraestruturas.

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