Como a hotelaria e o alojamento local se estão a reinventar

Como a hotelaria e o alojamento local se estão a reinventar

A pandemia fez de 2020 um ano disruptivo para a hotelaria e o alojamento local. Contudo, não obstante as incertezas, os seus desafios podem ter servido de impulso para acelerar a transição digital, criar mais valor e continuar a proporcionar experiências memoráveis.

 

O impacto da pandemia no mercado da hospitalidade

O ano de 2020 veio interromper uma década em que as chegadas de turistas cresceram 59% à escala global e na qual o turismo contribuiu em mais de 10% para o PIB mundial.

Embora algo acostumada a lidar com interrupções temporárias e quebras sazonais na procura, a indústria do alojamento ressentiu-se com uma crise generalizada em que as taxas de ocupação estiveram abaixo de 50% em pleno verão.

A redução da liquidez, devido à queda acentuada da receita, foi a principal consequência de uma perturbação que, por enquanto, parece ainda longe do fim.

Basta ter em conta que, além das incertezas quanto a potenciais restrições de circulação, os possíveis hóspedes permanecerão cautelosos em viajar nos próximos tempos. Por sua vez, também as regras relativas ao distanciamento físico exigem que os hotéis mantenham reduzidas as respetivas ofertas de quartos.

O último mês de 2020 trouxe, contudo, uma notícia mais animadora para a indústria da hospitalidade. A entrada em bolsa da Airbnb, a plataforma de reservas de alojamento local mais popular do mundo, foi bem recebida pelos investidores e mais do que duplicou o seu valor no primeiro dia de negociação.

 

A reinvenção das indústrias de hotelaria e alojamento local

É verdade que os desafios herdados de 2020 podem não estar a facilitar a tarefa, mas as empresas pertencentes ao setor da hotelaria e alojamento local estão longe de aceitar a derrota. Prova disso são as alterações que muitas estão a aplicar aos seus modelos de negócio e que podem representar uma importante evolução nesta indústria.

  • Reconversão de espaços: do quarto para o escritório

    Sabia que já é possível teletrabalhar com conforto, uma boa vista e acesso às comodidades de um hotel de luxo? Cada vez mais cadeias hoteleiras estão a reconverter os seus espaços com este fim.

    É o caso do Sheraton, que se tem focado no segmento corporativo, reconvertendo quartos em salas de trabalho e criando espaços dedicados a coworking.

    Também o Grupo Accor, que gere hotéis em mais de 100 países, tem investido na tendência do hotel office, tirando partido do número crescente de executivos e nómadas digitais que procuram lugares alternativos para trabalhar.

    A comprovar a tendência está igualmente a HotelsByDay, uma plataforma de reservas americana, lançada em 2015 e especializada neste segmento. As suas reservas aumentaram de 12 para 30% desde o início da pandemia.

 

  • Diferenciação através da tecnologia

    A tecnologia continua a ser uma poderosa aliada do setor hoteleiro, na medida em que contribui para a segurança de todos os funcionários e hóspedes, ao mesmo tempo que é percebida como um fator de inovação diferenciador.

    Veja-se o exemplo da cadeia internacional Corinthia, que tem implementado soluções tecnológicas como sistemas de reconhecimento facial e de utilização de máscaras, câmaras termográficas para medição da temperatura e mecanismos de purificação do ar de modo a assegurar a segurança dos seus hotéis.

    Não obstante, em alguns casos o papel da tecnologia vai ainda mais além. Pode-se dizer que está, inclusive, a tornar a indústria hoteleira mais inteligente.

    Há cada vez mais hotéis que permitem que os seus hóspedes façam o check-in e o check-out de forma autónoma, recorrendo para isso a aplicações móveis. Generalizaram-se os meios de pagamento contactless. Cresceu a disponibilização de chaves digitais. E até surgiram aplicações inovadoras que permitem solicitar serviço de quarto, solicitar limpeza ou controlar a climatização de forma remota. Tudo através do smartphone do cliente.

     

 

  • Intensificação dos atributos de base

    Proporcionar a melhor experiência possível e corresponder às expectativas dos clientes continua, naturalmente, a ser o core business da indústria hoteleira.

    É natural, por isso, que muitos negócios também se procurem reinventar ao acentuar os seus valores de base, gerando uma confiança e uma empatia acrescidas.

    Um exemplo disto é o da Hilton Hotels & Resorts, que fez do atributo “safe & clean” uma das suas bandeiras, anunciando novas parcerias com marcas de detergentes como a Reckitt Benckiser, a Lysol e a Dettol.

    O foco no “safe & clean” parece ser também o segredo da Airbnb, que se tem igualmente concentrado na implementação de soluções desenhadas a pensar nas emoções dos clientes neste período atribulado.

 

  • Investimento nas estadias de longa duração

    A oferta de estadias de maior duração tem sido outra estratégia que alguns negócios têm aplicado.

    Um exemplo nacional disto é o Hotel Faro, no Algarve, que lançou uma campanha para promover uma oferta, sob o mote “A sua casa em Faro”, que se estende de 15 dias a um mês.

    O mesmo se tem verificado no alojamento local, onde os contratos de arrendamento já vão até um ano.

    Trata-se de uma estratégia totalmente oposta à que vinha a ser seguida até aqui no alojamento local, demonstrando bem a capacidade de reinvenção destes negócios para se adaptarem à nova realidade.

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